Pseudociência: Alienígenas.
Hoje estava eu conversando com uma amiga sobre a existência de alienígenas, sim eu sei, um papo um tanto quanto estranho, mas ainda assim achei digno de comentar aqui o que me inspirou a escrever este texto. O assunto começou por causa dum filme de ficção científica o qual não irei citar o nome. Eu vi o trailer do filme que ela estava divulgando e ri um pouco com o que vi, porém, aquilo que havia sido motivo de risos, logo me foi motivo de lamúrias e lamentações. Lamentações das coisas que as pessoas acreditam, das coisas a que as pessoas dedicam inutilmente seu tempo, claro que isso é uma questão de ponto de vista só que mesmo assim contemplo estupidez nessa fé em criaturas às vezes verdes com meio metro de altura, olhos rasgados e cabeça de um metro de diâmetro e em outros momentos acinzentadas com corpos altos e esguios. Não digo que descarto a existência de seres extraterrestres, afinal, a meu ver é difícil de imaginar que nessa imensidão de nosso Universo o qual possui incontáveis galáxias, incríveis sistemas e maravilhosos mundos ainda a serem por nós desbravados, em algum lugar em algum pequeno canto desse Cosmos circundante, coincidências semelhantes às daqui não tenham ocorrido e assim originado a vida. Mas, por que então encontramos pessoas dizendo terem sido abduzidas?
Esta é uma boa pergunta para se responder e para fazê-lo que tal voltarmos alguns anos no passado?Por volta de 1600 d.c na época da inquisição e também das primeiras grandes descobertas científicas que contestavam os dizeres da Igreja católica, surgiram diversas lendas e superstições, todas reflexo da mentalidade da população da época. A que irei utilizar como exemplo e argumento é a história dos demônios Incubus e Sucubus. Na Idade Média demônios eram temidos e caçados, as histórias mais assustadoras que eram contadas às crianças eram sobre estas horrendas criaturas que percorriam a terra espalhando o mal e como a igreja aprovava a existência de tais, a população não hesitou em se esbaldar nas lorotas.
O homem, um animal do sexo masculino quando em idade fértil tende a ter algumas vezes sonhos eróticos e isto é pecado aos olhos cristão é claro. Alguém que o fazia era pecador e se você acordasse molhado numa manhã de Sol num santo dia de Deus, logo era expurgado como um grande pecador. O povo então tratou de botar a culpa nos demônios por estes acontecimentos naturais da nossa espécie, para assim não ter que pagar por isto. Aí nasceu a Sucubus que durante a noite obrigava o homem a fazer sexo e assim colhia seu sêmem, depois transformava-se em Incubus e ia fazer seu trabalho na mulher engravidando-a e isso também explicava o estranho fato de jovens aparecerem grávidas repentinamente, algumas vezes depois de uma temporada de trabalho para os cleros, interessante, não? Essa era a moda da época, alguns inventaram para se proteger, tirar a responsabilidade de seu ombro e salvar-se perante injustiças ou vergonha, mas como quase tudo, logo vira moda e as pessoas passam a imaginar coisas que não existem e que acontecem, mas na verdade não aconteceram.
O mesmo acontece agora, quatrocentos e nove anos depois, só que a mentalidade da população de agora, embora muito próxima com a de antigamente, mudou, evoluiu e tornou-se um tanto quanto mais adaptada a ciência, atrelaram a ciência com a superstição e assim criaram a pseudociência que é muito abrangente. Trata desde espiritualidade – como, por exemplo, as novas religiões que vemos surgindo diariamente, uma mais “cabeluda” que a outra e com pequenos embasamentos científicos, estes, todos errôneos – até alienígenas que é o nosso enfoque. Alienígenas, seres inteligente com cinquenta centímetros de altura que o forçam a fazer coisas que você não quer, ou, mesmo não conseguiria fazer por si só, são os demônios de hoje. A ciência suscitou a existência de seres vivos fora de nosso planeta e a mente fértil da população logo tratou de trabalhar e criar uma nova moda a abdução e a fé em discos voadores, naves incorpóreas, que vêm para cá, sequestram pessoas e fazem questão de devolvê-las para contar a história. Seres inteligentes e predominantes da razão não agiriam com essa estúpida atitude, presumo. Leva, faz o que quer e depois joga numa estrela qualquer. Não é mais eficaz?No âmago da idéia então, me leva a crer que alienígenas, histórias de abdução e etc., tal como dito por alguns psicanalistas, não passam de distúrbios mentais em alguns casos e uma intensa vontade de chamar a atenção em outros. Pode até ser que exista algum ser, como dito anteriormente esta idéia nunca que deve ser descartada, só que eles com certeza, não são de acordo com os estereótipos das histórias e relatos que ouvimos e lemos.
Curiosamente, se você tiver a oportunidade de ler relatos de pessoas “vítimas” dos demônios da Idade Média e de ET’s da Idade Contemporânea poderá observar o quão se parecem as descrições dos acontecimentos, das abduções e ataques. Entretanto, não é a temível ideia de saber que muitos adultos acreditam em alienígenas que me entristece e sim a ideia de que alguns adultos ainda acreditam em Papai Noel.
Por: Murilo Henrique Martinez Moreira